Milão tem ALMA é um facto que queremos constatar

Ciao!

Milão tem ALMA é um facto que queremos constatar.

A beleza está presente a cada rosto, o glamor a cada passo e o charme a cada palavra. Os italianos são afáveis, elegantes e escondem algum mistério a cada personalidade que conhecemos.

Gostámos desta sedução constante.

Gostámos do ritmo da área metropolitana que se mistura com uma sensação de estarmos permanentemente na rua do nosso bairro, a cada esquina mantém-se a sua escala e a nossa vontade de não parar para descobrir a seguinte.

Acelerámos o passo ou não estivéssemos na capital da moda e design do mundo. Pois claro que as marcas de high-ending estão todas sediadas nesta cidade tais como, Armani, Prada, Gucci, … A tudo isto se junta os eventos e feiras internacionais que são noticiadas globalmente a cada edição pela qualidade e densidade das suas mostras, falámos da Fashion Milan Week ou da Milan Furniture Fair. Estes são o motivo (entre muitos outros) para a cidade ser visitada anualmente por 8 milhões de pessoas e o seu crescimento continuar a extravasar-se para lá dos Rings urbanos que confinam o centro.

Culturalmente basta percebermos que estamos no país onde a civilização do velho continente se estruturou como povo-urbano à grande escala com uma civilização altamente desenvolvida e organizada. O império Romano desenhou uma sociedade que contribuiu para aquilo que define hoje as cidades europeias como os governos, o direito, a política, a engenharia, as artes, a literatura, …  Incrível é quando pensamos na extensão do Império Romano no mapa e imaginamos que esta civilização se originou de um pequeno povoado da Península Itálica.

Este parentesis é fundamental para se entender que a arte e a cultura é indissociável do povo italiano, é uma aura bastante presente no daily life das cidades deste país.

Quisemos entrar neste universo.

Na nossa visita rápida a Milão visitamos a Fundação Pirelli HangarBicocca, nascida em 2004, com uma exposição permanente do Lucio Fontana (Rosario, Argentina 1899 – Varese, Itália, 1968) que é absolutamente incrível.

Visitámos a Fondazione Prada  um projecto de arquitectura (2008-) do famoso atelier Office for Metropolitan architecture (OMA) do arquitecto holandês Rem Koolhaas, que está quase terminando. O complexo está localizado numa antiga destilaria de gin datado de 1910 no complexo industrial Largo Isarco. A nova casa da Fondazione Prada é uma coexistência de edifícios novos e regenerados, incluindo armazéns, laboratórios e silos de fabricação de cerveja, que configuram um grande pátio interior que os interliga. Este “espaço-público” tem atmosfera e sentimo-nos bem a percorrer o espaço onde nos permitimos a pausas para conversas. Sentimo-nos em casa.

O último edifício visitado fazia algum sentido – teoricamente – por estarmos em Milão a descobrir um autor brasileiro que está a trabalhar de perto com a ALMA. Agendámos a descoberta deste autor no MUDEC – Museo dele Culture. Este complexo é mais um esforço das autoridades municipais para preservar a memória económica e social da cidade. O MUDEC denuncia a vontade de preservação da arqueologia industrial da cidade promovendo e instalando um novo programa: um autêntico cultural-district. O Museu alberga uma colecção municipal de etno-antopologia composta por 7000 objectos de arte e uma ala promove a arte contemporânea. O edifício é desenhado pelo arquitecto inglês David Chipperfield – autor da futura casa Nobel, em Estocolmo, Suécia – que entrou em litígio com a prefeitura por má construção do pavimento do edifício renunciando à autoria…

Estámos cansados mas tínhamos muito mais para contar.

Em Milão vivemos. Isto já podem constatar.

José Martins,
arq.to/ art-director

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